
Ok, eu me rendo. Não estou legal.
Desisto de tentar camuflar que está tudo bem comigo. Não está. E isso é fácil de perceber, pois meu corpo dá todos os sinais necessários, avisando que o lado de dentro não tá legal. Eu consegui ganhar mais um quilo esse mês, nem acreditei quando, na aula prática de avaliação antropométrica, que tivemos sexta-feira, eu vi na balança. Sem falar nas minhas enormes dobras cutâneas.Ai, que pesadelo.
Também, acho que estou usando a comida como uma forma de recompensa, consolo, conforto. Só pode ser. Estou percebendo que ultimamente tenho evitado qualquer coisa que me traga qualquer tipo de desconforto e me privar de algumas coisas, por exemplo, doces, é uma verdadeira situação de desconforto máximo da existência. Nem o aparelho eu tenho usado, por que ele me faz sentir dor enquanto durmo. E dormir também é uma das coisas que mais tenho prezado nestes tempos.Saíram espinhas do nada no meu rosto, meu cabelo está super oleoso de novo, a caspa voltou com tudo. Tenho tido muita dor de cabeça, uma rinite sem fim, a garganta sempre "raspando". Não estou com a menor, nem um tiquinho de vontade de arrumar a casa. Pra mim, deixa como está por que é um saco ficar arrumando pra depois ver tudo bagunçado de novo. E minha mãe vive brigando comigo.
As matérias na facul tão legais, mas tem dia que não suporto ir pra faculdade. No estágio, minha orientadora tem tempo pra tudo e pra todos, menos pra mim. Já estamos quase em novembro e meu projeto tá á deriva.
Além disso, estou me sentindo muito sozinha. Muito carente. Sabe quando vc está cercado de gente, mas se sente só? Eu vivo conversando com os outros, mas sinto que não há ninguém para me escutar. Estou em dias de chuva, mas ninguém percebe e eu não tenho por que contar, já que não há ninguém para entender. Como alguém vai entender que eu ainda sofro com lembranças?
Como alguém vai entender que eu sinto saudades de uma pessoa com quem convivi tão pouco? Quem vai compreender o meu leve desespero em não ter mais notícia dessa pessoa, em não poder mais conversar com ela, em não poder ter mais ela por perto? Ninguém.
Minha mãe não se comove com nada disso. Meus amigos, sei lá... cada um fala uma coisa, outros não falam nada de útil-só sabem falar de si mesmos. Outros dizem que é assim mesmo. E eu sei que é assim mesmo, só não sei por que ainda não consegui me libertar desse apego. Minha consulta na psico está marcada para semana que vem. Dessa vez não vou faltar. Se eu tivesse ido no mês passado, talvez estivesse me sentindo melhor agora. O que não vai ser muito agradável é ter que contar toda a história de novo. Ontem fiquei lembrando disso... da nossa história. Da minha história com ele, aliás. Fiquei lembrando dele, a primeira vez que saímos, ele aqui na porta de casa, sem graça que minha mãe tinha ido me levar no portão. Nossa, chorei tanto...
Ontem de manhã, ao escolher a roupa pra sair de casa, resolvi pôr um vestido. Todos os meus vestidos me lembram aquela época, aquele verão. Me deu muita melancolia. E assim estou hoje, ouvindo Duffy, Eagles, Nickelback, Maná... tudo na tentiva de me recordar aquela sensação que sinto tanta falta.
Na verdade, na mais pura verdade, eu sinto falta de mim mesma. Queria poder retornar àquele estado de alegria que estava com ele, mas sem estar com ele.
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