09/10/2010

Descobrimento


Descobrimento

Não é preciso ser Colombo ou Cabral para se orgulhar de um descobrimento. Para ter a experiência de um descobrimento no currículo, basta ser humano.
Melhor: basta ser um humano com as janelas da mente e do coração abertas para poder enxergar descobrimentos (pois muitas vezes, estes passam despercebidos aos olhos da rotina-correnteza dos dias).
Descobrimentos não precisam ser megalomaníacos. São sutis. É descobrir que o dia reserva coisas, as quais você pode se surpreender.
É descobrir que aquele mau humor matinal passou depois de um banho e de um café da manhã bem gostosos.
É descobrir que houve reconhecimento de algo que fizemos e já nem nos lembravámos mais.
É descobrir conchas bonitas na praia, um pôr-do-sol que só a gente viu, um bem-te-vi no arbusto da rua.
É descobrir dinheiro esquecido no bolso do casaco, descobrir que aquela roupa ainda serve, descobrir que aquela música ainda toca na rádio.
É descobrir que somos capazes de rir num dia não muito legal, descobrir carinho no rosto durante o sono, perfume novo, a cor dos olhos do outro quando se olha bem de pertinho.
É descobrir uma palavra nova, uma solução esperada, um sabor diferente.
É descobrir que ainda não é hora de levantar e depois, lembrar que é domingo.
É descobrir o quanto mudamos, o quanto melhoramos e o quanto ainda iremos mudar e melhorar.
É descobrir que alguém pensou em você no mesmo momento que você pensava nesse alguém.
É descobrir que o coração palpita estranhamente e que você ri sozinho durante o dia.
É descobrir que foi bom ter esperado uma dia a mais para viajar naquele feriado, que foi bom ter ido dançar mesmo cansado, que foi bom ter tocado aquela música chata, pois naquele momento foi possível parar e ir buscar uma água e, mesmo em um lugar com quase mil pessoas, aquela pessoa passou por você, e por algum motivo, resolveu ficar e por algum outro motivo, você permitiu.
É descobrir que foi bom saber que essa pessoa dançava bem, que apesar de você não ter ido muito lá com o jeito dela a princípio, ela te fez rir, te seduziu, te beijou e que (olha que coisa), você gostou.
É descobrir que essa pessoa pode te surpreender.
É descobrir mensagem no celular no dia seguinte, e sorrir.
É descobrir a cada dia, afinidades e também gostos contrários, o que é extremamente enriquecedor.
É descobrir que o tempo longe demora enquanto o perto, voa.
É se descobrir com saudades, sem motivo aparente.
É descobrir que um sentimento por alguém, assim como a água, pode assumir diferentes formas e se adaptar, se inventar, se permitir sentir e ser diferente, testar algo novo, deixar um velho hábito, criar um hábito novo, conhecer, gostar, pensar, sentir, sonhar e realizar.
E uma hora você percebe que descobrimentos não são programáveis, não cabem na agenda mas que mesmo assim conseguem conquistar espaço dentro dela.
Descobrimentos dependem de coragem, de despreendimento, de intuição, de emoção, de olhares, de pele, de saliva, de suor e de cheiro.
São viagens sem destino certo, sem lenço, sem documento e sem nenhuma garantia que o mar não vá se acabar na linha do horizonte.
Descobrimentos são mudanças e as mudanças, são tão necessárias quanto inevitáveis.

Amanda Tonetto González
(Texto escrito em 29/8/2010, sob uma dose forte de culpa pois não entendia como alguém podia sentir o que estava escrevendo sem de fato estar 100% presente nesse relacionamento....)

Nenhum comentário:

Postar um comentário